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OTT (Over-The-Top) é a alternativa para produtores de conteúdo audiovisual regionais e afiliadas de TV

Alexandre Viana (*)

A Internet criou infinitas oportunidades para que muitos artistas, cineastas, músicos, comediantes e profissionais de outras atividades da produção cultural saíssem do anonimato. A possibilidade de divulgar seu trabalho por meios online, via streaming, como o Youtube, tem garantindo o surgimento de outros tantos nomes, antes desconhecidos, mas que agora possuem milhões de seguidores cativos. Os chamados “youtubers” são um exemplo disso e constituem uma nova categoria de produtores de conteúdo, resultado deste fenômeno online e comprovam que a Internet democratizou a produção, distribuição e o acesso a conteúdo exclusivo – e também regional. 

A produção cultural no Brasil é diversificada e acontece em todas as regiões. Em qualquer canto deste país existe neste exato momento alguém criando algo de muita qualidade e usando a Internet divulgar o seu trabalho. Neste contexto, surgem os serviços de transmissão online de conteúdo via aplicações OTT (Over The Top), que é a oferta de conteúdo audiovisual pela Internet e representa um novo meio de distribuição e que possibilita aumenta a audiência e criar novas formar de monetização para a produção cultural.

O OTT é um canal digital de transmissão de áudio e vídeo que pode ser personalizado para cada cliente, de acordo com as suas preferências. O maior exemplo deste universo é o Netflix, que levou para a Internet um amplo catálogo de filmes e documentários para serem consumidos a qualquer hora, a qualquer momento e a partir de qualquer dispositivo, o chamado multi telas. O assinante usufrui da melhor qualidade de Vídeo On Demand, sempre disponível, enquanto visualiza toda a programação oferecida. Outros provedores de serviços já oferecem conteúdo de qualidade e a preços baixos. 

E é exatamente a possibilidade de poder ver seu conteúdo preferido a qualquer hora, a qualquer momento e a partir de qualquer dispositivo que tem levado milhões de assinantes de TV paga a migrar para os serviços OTT.  Recente pesquisa Video Viewers 2018, encomendada pelo Google e conduzida pela Provokers, comprova esta preferência do assinante: o consumo online aumentou 135% em quatro anos, saindo de 8.1 horas semanais para as atuais 19 horas. No ano passado, o tempo médio gasto com vídeos na internet foi de 15,4 horas por semana. Dos entrevistados, 43% não possuem assinatura de TV paga. Em 2015, esse percentual foi de 34% (evoluindo para 36% e 40%, nos anos seguintes). Entre aqueles que hoje não acompanham a TV paga, 74% afirma não ter intenção de contratar este tipo de serviço. Três anos atrás, esse índice foi de 65%.

O estudo mostra claramente que o brasileiro está disposto a pagar por conteúdo diferenciado. Por esta razão, crescimento do streaming tem a ver com a queda da TV paga, que nos últimos vem perdendo assinantes para os serviços de OTT. Em pior situação está a TV aberta, que perde cada vez mais sua relevância e, por esta razão, vem investindo fortemente na oferta de serviços OTT, como é o caso da Rede Globo com o seu GloboPlay, e a Rede Record, com o seu PlayPlus. 

Afiliadas e repetidoras de sinal de TV, como ficam?

Mesmo não tendo a mesma capacidade financeira das grandes redes, as afiliadas e repetidoras de sinal de TV também podem enfrentar o avanço do OTT aliando-se a ele. E é exatamente o próprio OTT que oferece a estas pequenas empresas de mídia a possibilidade de reverter a situação e acompanhar a evolução deste mercado. Em todo o país notamos que muitas afiliadas começam a se movimentar e estudam criar serviços online exclusivos para a sua região. 

O primeiro passo neste sentido tem sido estudar as preferências do público local, conversar com os produtores locais de audiovisual e elaborar um catálogo de conteúdo diferenciado e exclusivo em suas cidades e estados. Segundo a Associação Brasileira de OTT – Abott’s, entidade que reúne os produtores e distribuidores de conteúdo online, o primeiro passo para se colocar uma operação comercial de streaming saber qual é o conteúdo relevante a ser oferecido. Depois, buscar apoio profissional de empresas e profissionais que já atuam na oferta de tecnologias e serviços de consultoria, projeto e execução de uma operação de OTT. Conversar com empresas de mídias que já possuem OTT vale muito a pena justamente porque elas aprenderam com os erros e podem ajudar neste processo. 

O Brasil é o 8º mercado de OTT do mundo, segundo recente pesquisa da consultora Frost & Sullivan, que aponta, ainda, que a demanda OTT deverá aumentar consideravelmente devido ao uso de novas tecnologias. Segundo a consultoria, há 5 anos, em 2013, a receita do mercado de vídeo OTT chegou a marca de US$ 96 milhões, sendo que a projeção é de chegar ao final de 2018 com US$ 783 milhões de faturamento. O mercado é promissor. As afiliadas e repetidoras de sinal de TV precisam olhar com carinho este mercado. O mesmo deve ser feito pelos produtores de audiovisual regionais independentes.

(*) Diretor da Comets Tecnologia, fornecedora da plataforma TV Na Nuvem, e diretor da Associação Brasileira de OTT – Abott’s.